Linas Kojala, analista de geopolítica lituano, estava caminhando pelas ruas de Vilnius num agradável dia de primavera, a caminho de uma palestra para empresários e acadêmicos austríacos, quando o celular disparou um alerta de emergência. Não era uma notificação discreta: o sistema lituano de alertas é projetado para ser impossível de ignorar.
A primeira mensagem avisava sobre uma possível ameaça de drone. A segunda era mais direta: perigo aéreo — procure abrigo. Em plena capital europeia, com mesas de café na calçada e gente passeando, a realidade da guerra deixou de ser só teoria.
Para os lituanos e os demais países bálticos, conviver com a hostilidade russa já é rotina há anos. A novidade é que a tecnologia de drones mudou o jogo: o que antes parecia um problema geográfico distante agora pode alcançar capitais como Londres, Berlim e Paris com a mesma facilidade.
O episódio em Vilnius ilustra como o flanco leste da OTAN vive uma realidade que o resto da Europa ainda tenta assimilar. Alertas de emergência, exercícios de abrigo e a consciência constante de ameaças aéreas já fazem parte do cotidiano nessa região.
A questão que fica é: quanto tempo até que essa “nova normalidade” do leste europeu se torne familiar também para os países ocidentais do continente? Para Kojala, a resposta pode ser mais urgente do que muitos gostariam de admitir.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE