Europa

“Minhas mãos tremem durante os ataques, mas a gente continua por amor”: o relato de uma escritora ucraniana

Alina Sarnatska, escritora e veterana de guerra ucraniana, publicou um texto no The Guardian contando como a guerra mudou — e ao mesmo tempo não mudou — quem ela é. Ela fala sobre o tremor nas mãos durante os ataques aéreos russos e como isso virou um ponto de conexão com outras pessoas em Kyiv que passam pelo mesmo.

Dois amigos seus, no último mês, admitiram que as mãos também começaram a tremer durante os bombardeios. Alina conta que, depois de um colapso emocional durante um ataque na região de Donetsk, nunca se recuperou completamente — e hoje se vê como uma espécie de “embaixadora” de quem vive com esse tremor.

Para contextualizar a resiliência da família, ela lembra da avó: aos 17 anos, quando os nazistas entraram na aldeia dela, perto de onde hoje fica Bucha, ela se escondeu no sótão. Foi pega semanas depois, deportada para a Alemanha em vagão de gado e voltou caminhando centenas de quilômetros. A avó dizia que foi sortuda.

O texto de Alina toca num ponto delicado: a pele endurece como armadura com o tempo de guerra, mas ela não quer que essa dureza apague a ternura — com os outros e consigo mesma. É uma reflexão sobre sobreviver sem perder a humanidade.

Alina é autora de dois livros e nove peças de teatro, com trabalhos apresentados internacionalmente. O relato dela chega num momento em que os ataques russos continuam atingindo civis ucranianos, incluindo mulheres e crianças, e o desgaste emocional da população se acumula há mais de três anos de guerra.

Tags: ucrânia, guerra, relato pessoal, saúde mental, russia

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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