Parece que o racionalismo iluminista está perdendo espaço. Cada vez mais pessoas na Europa e no mundo estão voltando a abraçar crenças espirituais, religiosas e até esotéricas — do neopentecostalismo às terapias alternativas, passando por histórias de extraterrestres e simbolismo do diabo.
Esse movimento não é pequeno nem marginal. Especialistas apontam que o fenômeno abrange desde igrejas evangélicas em expansão até práticas de bem-estar como cristais, tarô e meditação guiada por influenciadores digitais — tudo misturado num caldeirão de buscas espirituais bem do século XXI.
O tema ganhou ainda mais visibilidade com a visita do Papa à Europa, que jogou holofotes sobre o papel da religião organizada nesse cenário. Ao mesmo tempo, vários ensaios acadêmicos e jornalísticos estão tentando entender por que, numa era de ciência e tecnologia, tanta gente está procurando respostas além do mundo material.
A hipótese mais discutida é que a espiritualidade preenche um vazio deixado pela crise das instituições tradicionais — política, ciência, mídia — que perderam a confiança de muita gente. Quando o mundo parece caótico e sem respostas fáceis, o pensamento mágico oferece conforto e senso de pertencimento.
A tendência deve continuar crescendo, segundo os analistas, especialmente entre jovens que combinam ciência com espiritualidade sem ver contradição nisso. O debate agora é entender se esse retorno é uma fuga da realidade ou uma resposta legítima às limitações do racionalismo puro.
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Fonte: ELPAIS