No meio de foguetes russos não explodidos e drones zumbindo pelo céu, produtores de vinho ucranianos continuam cuidando das suas videiras — e da esperança. É o caso de Mykhailo Molchanov, que foi flagrado podando as plantas num dia de início de verão, com seu cachorro Direktor colado no calcanhar, num cenário que parecia de cartão-postal.
As videiras orgânicas da família Molchanov crescem diretamente no solo da estepe do sul da Ucrânia, uma região famosa pela sua biodiversidade. É justamente daí que vem o nome do rótulo deles: Steppe Wines. Entre a grama prateada e a sálvia selvagem, a natureza segue o seu ritmo — guerra ou não.
O sul da Ucrânia é uma região vitivinícola com história, mas que virou zona de conflito ativo desde a invasão russa. Mesmo assim, alguns produtores optaram por ficar e continuar trabalhando a terra, numa mistura de resistência, teimosia e amor pelo que fazem.
Manter uma vinícola funcionando nessas condições vai muito além de produzir uma garrafa de vinho. É um ato de fé no futuro — a ideia de que plantar uma videira é acreditar que você vai estar ali para colher os frutos, literalmente. Para essas famílias, abandonar as vinhas seria também abandonar uma parte de quem elas são.
A história dos Molchanov é só um exemplo de como produtores ucranianos seguem resistindo em meio à guerra. O mundo do vinho tem observado esse movimento com atenção, e a expectativa é que essas histórias ajudem a colocar os vinhos ucranianos no mapa internacional — mesmo que o caminho até lá seja tortuoso.
Tags: ucrânia, guerra, vinho, resistência, agricultura
Fonte: GUARDIAN_EUROPE