Europa

Ar-condicionado na Europa: por que ligar (ou não) virou questão política

Com temperaturas quebrando recordes — Brandenburg, na Alemanha, chegou a 41,7°C no domingo —, a discussão sobre ar-condicionado saiu das salas de estar e foi parar no debate público europeu. Mario, um aposentado de 65 anos que mora numa cidade na fronteira germano-polonesa, é um dos poucos sortudos: seu bangalô está entre os apenas 6% das casas alemãs que têm ar-condicionado fixo.

Ele conta que comprou o aparelho dois anos atrás, depois de uma onda de calor intensa, e não se arrepende. ‘Os verões estão ficando cada vez mais quentes’, diz ele, ‘e conforme a gente envelhece, o calor fica mais difícil de aguentar.’ Simples assim — mas nem todo mundo na Europa pensa igual.

Historicamente, o ar-condicionado nunca foi muito popular no continente europeu. O clima mais ameno durante séculos fez com que a cultura local simplesmente não incorporasse o hábito, ao contrário dos Estados Unidos ou de países do Oriente Médio. Mas as ondas de calor cada vez mais frequentes estão colocando esse costume em xeque.

O problema é que a discussão virou uma espécie de ‘guerra cultural’: de um lado, quem defende o ar-condicionado como questão de saúde pública e sobrevivência; do outro, quem vê o aparelho como vilão ambiental ou símbolo de exagero. Especialistas alertam que esse bate-boca está desviando a atenção do que realmente importa: proteger vidas durante as ondas de calor.

Enquanto o debate esquenta, a tendência é que mais europeus passem a considerar o ar-condicionado não como luxo, mas como necessidade — especialmente os mais velhos e vulneráveis ao calor extremo. A questão que fica é se os governos vão agir rápido o suficiente para garantir acesso a quem mais precisa.

Tags: calor, ar-condicionado, clima, alemanha, europa

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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