O fotógrafo irlandês Shane Hynan está documentando as turfeiras do seu país num projeto chamado *Beofhód* — palavra em irlandês antigo que significa ‘Abaixo’. A ideia é retratar a tensão entre o papel central que essas áreas têm na vida e na cultura irlandesa e o impacto ambiental que o uso da turfa causa.
As turfeiras, chamadas de *portachs* em irlandês, cobrem entre 1,2 e 1,5 milhão de hectares — algo entre 14% e 17% de todo o território da Irlanda. Nas regiões centrais do país, a turfa que forma essas áreas cresce apenas 1mm por ano, acumulando-se em bacias úmidas e antigas lagoas ao longo de milênios.
A relação dos irlandeses com as turfeiras é profunda e vai muito além do paisagismo. Como observa o geógrafo histórico Kevin Whelan, ‘o pântano foi gravado tão fundo no registro humano quanto no físico na Irlanda — de uma forma sem paralelo em qualquer outro lugar’. Ou seja, é quase impossível entender a história e a identidade irlandesa sem passar por essas terras.
O projeto de Hynan captura cenas do cotidiano ligadas à turfa, como a foto de Eddie e Con cortando blocos de turfa para uso doméstico no Knockirr Bog, no Condado de Kildare, em 2022. Essas imagens mostram que a prática ainda faz parte da vida real de muitas famílias, mesmo num momento em que há pressão crescente para abandoná-la por razões ambientais.
Com as turfeiras ameaçadas tanto pela exploração histórica quanto pelas mudanças climáticas, trabalhos como o de Hynan ganham urgência. A expectativa é que o projeto ajude a criar consciência sobre a necessidade de preservar esses ecossistemas únicos — que, além de tudo, funcionam como importantes reservatórios de carbono.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE