A Europa tinha um plano ambicioso para competir de igual para igual com EUA e China: parar de cada país fazer o seu próprio avião, tanque ou navio e começar a dividir custos e tecnologia com os vizinhos. A ideia veio do relatório de Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-premier italiano, que apontou a colaboração em defesa como peça-chave para o continente não ficar para trás.
Mas a coisa já tropecou logo de cara. Em junho, o chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente francês Emmanuel Macron foram obrigados a cancelar o projeto conjunto de caça de nova geração, batizado de Future Combat Air System (FCAS). O programa estava em desenvolvimento desde 2018 e, depois de anos de desentendimentos, simplesmente não foi pra frente.
O contexto é importante: desde que os EUA sinalizaram um papel mais limitado na segurança europeia, a pressão para que a Europa se vire sozinha aumentou bastante. A ideia de construir um caça europeu conjunto era justamente um símbolo desse esforço de autonomia — e agora esse símbolo está no lixo.
Enquanto isso, nem tudo é catástrofe. Reino Unido e Itália estão avançando nos seus próprios projetos de defesa aérea, mostrando que a cooperação é possível — só que em formatos menores e com parceiros mais alinhados. O problema é que iniciativas assim, sem a França e a Alemanha juntas, têm alcance e peso bem mais limitados.
A grande questão agora é se os países europeus vão conseguir se reorganizar e tentar novos arranjos, ou se cada um vai acabar seguindo o próprio caminho. Por enquanto, a perspectiva de uma frente unificada parece distante — e o sonho de uma indústria de defesa verdadeiramente europeia continua sendo, bem, um sonho.
Tags: defesa, fcas, frança, alemanha, caça militar
Fonte: GUARDIAN_EUROPE