O documentário ‘Better Go Mad in the Wild’, do diretor Miro Remo, mergulha fundo no interior da República Tcheca para acompanhar a vida de dois irmãos gêmeos que vivem isolados numa cabana nas montanhas Šumava. O filme é narrado por um touro abatido — sim, você leu certo — e mistura realismo com surrealismo do começo ao fim.
František e Ondřej Klišík, conhecidos como ‘Franta’ e ‘Ondra’, estão chegando perto dos 60 anos e tocam uma pequena propriedade rural com a ajuda de Nandy, um touro rebelde que não colabora muito como animal de tração. No tempo livre, os dois bebem, discutem, lamentam a falta de sorte com as mulheres e resolvem as brigas em épicas disputas de queda de braço.
O filme é baseado num conto sobre os irmãos escrito por Aleš Palán, mas o diretor Remo foi além e abraçou de vez o clima de loucura criativa do lugar. Ele não só filma os dois filosofando e se estranhando, como também entra na brincadeira com sua própria dose de fabulismo e surrealism.
Franta, que perdeu um braço num acidente com uma serraria, costuma vencer as disputas de queda de braço mesmo assim — e ainda tem tempo para soltar poesia no ar, desejar ‘alegria a todos os seres conscientes’ e construir uma máquina voadora perpétua no estilo Da Vinci. O irmão Ondra, mais pragmático, não curte muito a invenção: ‘Sua aversão ao meu perpétuo é um pouco irritante’, avisa Franta.
O resultado é um retrato incomum e cheio de charme de dois homens à margem do mundo convencional, que misturam sabedoria torta com humor involuntário. Para quem curte documentários que fogem do óbvio, esse parece ser um prato cheio.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE