A Irlanda está no meio de uma briga séria sobre como funciona o atendimento em maternidades públicas. O plano do governo é acabar com o sistema em que quem paga a mais recebe um atendimento melhor dentro do próprio hospital público — uma situação que, convenhamos, não faz muito sentido.
A discussão gira em torno dos chamados pacientes ‘privados’ em hospitais públicos. Hoje, quem paga por um plano ou desembolsa do próprio bolso tem acesso a vantagens que os demais não têm — e a ideia é acabar com essa fila dupla, tornando o atendimento universal e igualitário para todas as grávidas.
A autora do artigo, a jornalista Caelainn Hogan, está grávida e prestes a dar à luz no Rotunda, o hospital de maternidade em funcionamento contínuo mais antigo do mundo, em Dublin. Ela mesma viveu a experiência da ala pública na primeira vez que foi mãe, e agora acompanha de perto esse debate que afeta diretamente sua vida.
O problema é que a reforma está encontrando resistência — especialmente de médicos bem remunerados e de interesses privados que se beneficiam do sistema atual. Mexer nessa estrutura significa mexer no bolso de muita gente, o que explica a briga.
Enquanto isso, o Rotunda se aproxima de uma marca histórica: o nascimento do seu 1 milhão de bebê. O momento simbólico chega junto com uma das discussões mais importantes sobre saúde pública na Irlanda dos últimos tempos — e o resultado pode mudar o que significa dar à luz no país.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE