A coalizão centrista que historicamente mandava no Parlamento Europeu está mudando de postura: agora, partidos do centro estão votando junto com eurodeputados do AfD alemão e da Reunião Nacional de Marine Le Pen para aprovar leis da UE. É uma virada significativa na política europeia.
O Parlamento Europeu é eleito por cerca de 360 milhões de cidadãos e tem poderes de peso: co-escreve as leis da UE, elege o presidente da Comissão Europeia e pode até derrubar o que seria o ‘governo’ da Europa. Durante décadas, uma grande coalizão de centro-direita, socialistas, liberais e verdes governou essa casa com um compromisso claro: manter a extrema direita do lado de fora.
A União Europeia foi construída justamente como uma resposta ao passado sombrio do continente — uma aposta de que compartilhar poder entre nações evitaria que maiorias decidissem quem ‘pertence’ ou não à comunidade. Esse princípio sempre norteou as alianças dentro do parlamento.
O problema é que esse ‘firewall’ contra a extrema direita parece estar rachando. Ao colaborar com partidos como o AfD e a Reunião Nacional, os grupos centristas abrem espaço para que pautas radicais ganhem força dentro das próprias instituições que foram criadas para contê-las.
A tendência levanta uma questão séria: se a extrema direita não precisa mais conquistar o poder por fora, porque está sendo convidada para dentro, o que isso significa para o futuro da integração europeia e dos valores que a fundaram?
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE