Em julho de 2024, a polícia polonesa foi até Igor Rogov, um ativista russo exilado, depois que alguém lhe enviou pelo correio um kit para fabricar bombas. O pacote continha uma garrafa térmica cromada, dois pincéis marcadores, um power bank e uma garrafa de fluido anticongelante — itens que pareciam inofensivos, mas que escondiam um perigo real.
Ao raiar os marcadores com equipamento especial, as autoridades encontraram detonadores soviéticos dos anos 1980 dentro deles. A garrafa térmica tinha um fundo falso com pó metálico, o power bank havia sido adulterado e o líquido na garrafa era, na verdade, uma solução altamente volátil de nitroglicerina. Com o conhecimento certo, tudo aquilo poderia virar uma bomba poderosa.
A Polônia estava em estado de alerta elevado naquele período. Dois meses antes, um shopping em Varsóvia havia sido incendiado em um ataque criminoso, e um Ikea na vizinha Lituânia também foi alvo de fogo. As autoridades acreditavam que se tratava de uma campanha de sabotagem orquestrada pelos serviços de inteligência russos, com o objetivo de espalhar pânico e minar o apoio à Ucrânia.
Quando Rogov foi apontado como possível agente do Kremlin, seus amigos ficaram chocados. Ele era visto como um jovem ativista da oposição russa no exílio — e a ideia de que pudesse ser um espião infiltrado parecia, para quem o conhecia, completamente fora de cogitação.
O caso levanta uma questão que ainda não tem resposta clara: afinal, Rogov era um espião, e se sim, estava a serviço de quem? A investigação sobre o episódio joga luz sobre a complexa rede de sabotagens atribuídas à Rússia em solo europeu e os desafios de identificar agentes infiltrados em comunidades de exilados.
Tags: espionagem, rússia, polônia, sabotagem, ucrânia
Fonte: GUARDIAN_EUROPE