Na semana passada, imagens de milhares de migrantes entrando em Ceuta — o enclave espanhol no norte da África — viralizaram nas redes sociais e acenderam o gatilho da extrema direita europeia. O episódio rapidamente ganhou proporções políticas muito além da Espanha, com líderes do continente aproveitando o momento para criticar as políticas de imigração do governo Sánchez.
Itália e Dinamarca organizaram uma carta assinada por 22 chefes de governo da União Europeia que, na prática, jogou a culpa da crise nos pés do premiê espanhol. O documento faz referência ao recente programa de regularização de imigrantes sem documentos lançado por Sánchez — que recebeu mais de um milhão de pedidos — e pede que a Europa reveja ‘todas as políticas que possam servir como fatores de atração’.
O contexto é importante: Sánchez é hoje um dos poucos líderes europeus que ainda enfrenta Trump abertamente, numa época em que a maioria dos governos do continente prefere se esquivar. Essa postura progressista e independente faz dele uma espécie de ponto fora da curva no cenário político europeu atual.
O resultado dessa combinação — crise em Ceuta, pressão dos aliados europeus e uma extrema direita cada vez mais encorajada dentro da Espanha — é que Sánchez está pagando um preço político alto. Ele se vê espremido entre a diplomacia coercitiva vinda de fora e a pressão interna de um campo conservador que usa os acontecimentos para atacá-lo.
A situação levanta uma questão maior: sobra espaço para políticas progressistas de imigração na Europa de hoje? Com 22 governos na mesma página e a narrativa da crise dominando o debate, as próximas semanas vão mostrar se Sánchez consegue segurar o barco — ou se vai ter que recuar.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE