Nos últimos 18 meses, dezenas de milhões de russos foram obrigados a instalar um app chamado Max no celular — aquele botão azul-violeta que serve para mensagens e pagamentos. As autoridades russas venderam o produto como uma alternativa patriótica ao Telegram e ao WhatsApp, e celebridades locais até apareceram em videoclipes de rap e esquetes de humor promovendo a novidade. Neste verão europeu, o Max se tornou o app de mensagens mais usado na Rússia.
O problema é que, segundo uma pesquisa revelada pelo The Guardian, o Max funciona na prática como uma ‘porta dos fundos’ no dispositivo de quem o instala. Ou seja, o app dá ao governo russo acesso aos dados dos usuários, transformando cada celular em uma potencial ferramenta de vigilância.
A pressão para adotar o aplicativo não foi exatamente sutil: dezenas de milhões de pessoas foram forçadas a instalá-lo, o que indica que a adesão em massa não foi espontânea. O Estado russo tem um histórico de tentar controlar as comunicações digitais de sua população, inclusive tentando bloquear o Telegram em 2018 — sem sucesso na época.
O impacto é enorme: com o Max consolidado como o app mais popular do país, o governo teria acesso potencial a uma fatia gigantesca das comunicações privadas dos russos. Isso representa um salto significativo na capacidade de monitoramento estatal em relação ao que existia antes.
A tendência é que o cerco digital continue se fechando na Rússia, especialmente em tempos de guerra. Para quem acompanha o tema, o Max é mais um capítulo na estratégia de Moscou de construir um ecossistema digital próprio — e sob controle total do Estado.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE