Mundo

Deportados para a África pelos EUA: brasileiros e latinos vivem em limbo legal sem saber o que vai acontecer com eles

O jornal El País conversou com cerca de dez migrantes de Cuba, Honduras, Brasil e Colômbia que foram deportados pelos Estados Unidos para países da África e agora vivem em uma situação completamente incerta. Alguns estão retidos em hotéis, outros estão indocumentados, e há quem já tenha passado um ano preso depois da deportação.

Esses migrantes foram enviados para países africanos com os quais muitos deles não têm nenhuma ligação cultural, histórica ou familiar. Eles relatam ter pouco acesso a assistência médica e não receber informações claras sobre o que vai acontecer com suas vidas. Um dos deportados chegou a comparar a situação ao tráfico humano: ‘Isso se chama tráfico de pessoas’, disse.

A prática de deportar migrantes para países terceiros — ou seja, países que não são nem os EUA nem a nação de origem do migrante — ganhou força como parte das políticas migratórias mais rígidas adotadas pelo governo americano. A ideia é usar esses acordos com países africanos como forma de dificultar a permanência irregular nos Estados Unidos.

O impacto para essas pessoas é devastador: além do choque de serem mandadas para um lugar desconhecido, elas ficam presas em um vácuo jurídico, sem documentos válidos, sem apoio consular efetivo e sem perspectiva de retorno ao país de origem ou de regularização onde estão. A situação levanta sérias questões sobre direitos humanos e o que os governos de origem desses migrantes estão fazendo para ajudá-los.

Por enquanto, não há sinais de que os EUA pretendam reverter essa política — pelo contrário, a tendência é de expansão. Para os migrantes já deportados, o futuro segue completamente nebuloso, e organizações de direitos humanos estão de olho no caso para entender os próximos desdobramentos legais e diplomáticos.

Tags: deportação, migração, estados unidos, direitos humanos, brasil

Fonte: ELPAIS

Não perca o cafezinho de amanhã

Receba todo dia às 07h um resumo das principais notícias da Europa em português, direto no seu email. De graça.