Quem nunca sonhou em entrar num charmoso bistrô francês no meio do nada, pedir um vinho e ficar de papo? Pois é, esse cenário está desaparecendo. Os café-bistrôs, que sempre foram o coração da vida rural na França, estão fechando as portas em ritmo acelerado — e a situação virou motivo de campanha nacional.
No vilarejo de Saint-Martin-sur-Ouanne, no norte da Borgonha, o Au Bon Accueil ainda resiste. Num dia de semana comum, ao meio-dia, todas as mesas já estavam ocupadas. O menu de três pratos sai por apenas 18 euros — com opções como bife com batata frita ou lasanha — mas os moradores não vão só pela comida. O bistrô é ponto de encontro, de conversa, de comunidade.
O problema é que esse tipo de lugar está sumindo do mapa. A combinação de dois fatores está matando os bistrôs rurais: o esvaziamento do campo, com cada vez menos gente morando nessas regiões, e a queda no consumo de álcool entre os franceses. Sem movimento suficiente, manter as portas abertas virou missão quase impossível para os donos.
A situação é séria o suficiente para mobilizar ativistas e grupos que buscam novas formas de manter esses espaços vivos. Algumas iniciativas apostam em modelos alternativos de gestão, como cooperativas comunitárias, para que o bistrô deixe de depender só da venda de bebidas e refeições para sobreviver.
A tendência, infelizmente, não é animadora no curto prazo. Com o êxodo rural continuando e os hábitos de consumo mudando, salvar os bistrôs vai exigir criatividade — e bastante vontade coletiva. O debate sobre o futuro desses espaços é, no fundo, um debate sobre o que a França rural quer ser.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE