A França vai emprestar a famosa Tapeçaria de Bayeux ao Reino Unido — e o anúncio já tinha sido feito lá em janeiro de 2018, pelo presidente Emmanuel Macron, numa cerimônia em Sandhurst ao lado da então primeira-ministra Theresa May. Na ocasião, Macron disse que história e geografia são duas coisas que nenhum voto ou decisão política consegue mudar entre França e Reino Unido.
O timing do anúncio não podia ser mais simbólico: o comunicado veio 18 meses depois do Brexit, num momento em que as relações entre os dois países estavam bem estremecidas. O establishment político francês tinha ficado chocado e irritado com a saída britânca da UE, e os contatos diplomáticos entre os dois lados do Canal da Mancha estavam visivelmente minguando.
A Tapeçaria de Bayeux é uma obra bordada do século XI com quase 70 metros de comprimento, que narra a conquista normanda da Inglaterra em 1066 — ou seja, ela é literalmente um registro da última vez que alguém conseguiu invadir o Reino Unido com sucesso. Não é exatamente um objeto neutro na relação franco-britânica.
O empréstimo da tapeçaria é visto como um gesto de boa vontade diplomática, mas ninguém esperava que um pedaço de linho medieval bordado fosse, sozinho, resolver décadas de tensão e anos de desgaste pós-Brexit entre os dois vizinhos mais próximos da Europa.
Com cinco primeiros-ministros britânicos e seis franceses desde o anúncio original, a visita da tapeçaria ao Reino Unido chega carregada de história — e serve de lembrete de que a relação entre França e Inglaterra é, há séculos, uma mistura inseparável de amor, rivalidade e dependência mútua.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE