A morte do rei Harald da Noruega provocou uma comoção enorme no país, com o povo demonstrando um luto genuíno e carinhoso pelo monarca. A colunista Anna Hedenmo, do jornal sueco Dagens Nyheter, aproveitou o momento para fazer uma pergunta incômoda: será que os suecos vão sentir o mesmo quando perderem o seu rei?
A reflexão parte de uma diferença clara de estilo entre as duas famílias reais. Enquanto a monarquia norueguesa apostou na proximidade, na humildade e na abertura com o povo, a família real sueca costuma manter uma postura mais reservada e distante — como se mostrar demais pudesse quebrar o encanto da realeza.
O argumento da coluna é que essa reserva sueca não é necessariamente um trunfo. O caso norueguês mostra que a magia de uma monarquia não precisa depender do mistério: ela também pode vir da simplicidade e da conexão humana com os cidadãos comuns.
A pergunta no fundo é sobre legitimidade emocional. Um rei ou rainha que o povo admira de longe, mas não sente como ‘seu’, corre o risco de ser lembrado com respeito frio — bem diferente do luto quente e espontâneo que os noruegueses demonstraram por Harald.
A coluna não dá respostas definitivas, mas deixa o questionamento no ar: a monarquia sueca está construindo esse tipo de laço afetivo com a população? Ou está apostando numa fórmula que pode não funcionar tão bem quando chegar a hora do adeus?
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Fonte: DN_SE