O general Ratko Mladić, conhecido como o ‘Açougueiro da Bósnia’, morreu na quinta-feira na prisão, aos 84 anos. Mas para as vítimas e sobreviventes das atrocidades que ele cometeu, a morte física do homem não apaga o perigo real: a ideologia dele continua viva e, para muitos, ele ainda é tratado como herói.
Como comandante das forças sérvias da Bósnia durante a brutal dissolução da Iugoslávia nos anos 1990, Mladić foi responsável pela morte de cerca de 100 mil pessoas — homens, mulheres e crianças. O crime mais sombrio associado ao seu nome é o genocídio de Srebrenica, em julho de 1995, onde pelo menos 8 mil homens e meninos muçulmanos bósnios foram massacrados.
Mladić foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele passou os últimos anos de vida preso, mas nunca demonstrou arrependimento público pelas atrocidades cometidas sob seu comando.
O problema, segundo vítimas e ativistas ouvidos pelo Guardian, é que a morte dele não encerra o capítulo. Sua figura continua sendo glorificada em partes da Sérvia e da República Srpska, entidade da Bósnia, onde ele é visto por muitos como um defensor do povo sérvio — e não como um criminoso de guerra.
Para os sobreviventes, essa glorificação é uma ferida que não fecha. Enquanto a narrativa que celebra Mladić seguir circulando livremente, alertam eles, o terreno fértil para novos conflitos e negacionismo histórico permanece perigosamente presente na região.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE