Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022, a Polônia virou um símbolo de solidariedade: poloneses comuns abriram as portas de casa para milhões de refugiados, e até o governo populista Lei e Justiça embarcou na onda de apoio. Parecia o início de uma amizade histórica entre os dois países.
A aliança rendeu frutos concretos: a Polônia defendeu a causa ucraniana no Ocidente com algum sucesso, mandou armas e dinheiro, e os líderes ucranianos não pouparam elogios à generosidade polonesa. Isso era especialmente simbólico porque a história recente entre os dois países carregava acusações de genocídio da época da Segunda Guerra, deslocamentos de populações e disputas de fronteira.
Mas o que parecia uma parceria inabalável começou a rachar. Segundo o jornalista Mateusz Mazzini, de Varsóvia, Varsóvia não estava preparada para dois desenvolvimentos: que os refugiados ucranianos construiriam novas vidas na Polônia — e não voltariam para casa logo — e que a Ucrânia começaria a reivindicar um lugar de igual na mesa europeia, e não apenas o papel de país em necessidade.
Essa mudança de expectativas gerou tensões. A compaixão inicial dos poloneses foi cedendo espaço ao ressentimento, e a relação que parecia destinada a ser a grande virada na história bilateral dos dois países começou a mostrar suas rachaduras.
O alerta do artigo é claro: se essa deterioração continuar sem ser endereçada, as consequências podem ser dramáticas — tanto para a relação Polonia-Ucrânia quanto para o papel que os dois países desempenham juntos na segurança europeia.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE