Morar no último andar de um prédio nem sempre foi sinônimo de glamour. Durante séculos, os andares mais altos eram justamente os menos cobiçados — ficavam para os mais pobres, que tinham que subir escadas intermináveis carregando tudo nas costas.
A virada veio com a invenção do elevador, no século XIX. A partir daí, o que era trabalhoso e indesejado se transformou em privilégio: de repente, chegar ao topo ficou fácil, e a vista lá de cima passou a valer ouro.
Com o tempo, a cobertura foi ganhando um lugar especial na cultura popular. Filmes, séries e notícias do mercado imobiliário ajudaram a consolidar a ideia de que quem mora lá em cima chegou lá na vida — literalmente e figurativamente.
Esse simbolismo também transbordou para a política. A cobertura virou sinônimo de poder, exclusividade e distância do mundo comum — e não faltam exemplos de figuras públicas usando esse tipo de imóvel para reforçar sua imagem.
Hoje, a obsessão pela cobertura mistura arquitetura, desejo e status social de um jeito difícil de separar. A pergunta que fica é: será que a gente quer mesmo a vista, ou só quer poder dizer que mora lá em cima?
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Fonte: ELPAIS