Ondas de calor e incêndios florestais não estão apenas destruindo florestas — eles estão empurrando as gigantescas regiões de permafrost do planeta para perto de um ponto sem retorno. O alerta vem do professor Gustaf Hugelius, do Centro de Pesquisa Climática Bolin, na Universidade de Estocolmo, na Suécia.
O permafrost é aquele solo que fica congelado o ano todo em regiões árticas e subárticas. O detalhe que preocupa: ele guarda três vezes mais carbono do que toda a vegetação viva do planeta Terra. Se derreter de vez, esse carbono vai parar na atmosfera na forma de CO₂ e metano — e aí o problema climático fica bem maior.
Hugelius é uma das maiores autoridades mundiais nos riscos do degelo de tundras e turfeiras. Ele explica que o calor extremo e os incêndios aceleram a liberação desses gases de efeito estufa, aproximando essas regiões de limiares irreversíveis — ou seja, pontos em que o processo se torna impossível de parar.
O grande medo é justamente esse efeito dominó: quanto mais o clima aquece, mais o permafrost derrete; quanto mais ele derrete, mais gases são liberados; e quanto mais gases, mais o clima aquece. Um ciclo que, uma vez iniciado em escala, é muito difícil de controlar.
Por enquanto, o professor não dá uma data para o colapso, mas deixa claro que o mundo precisa prestar atenção agora. A mensagem é simples: o que acontece no Ártico não fica no Ártico.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE