Marrocos decidiu isentar de visto os cidadãos de vários países africanos, numa jogada que mistura política de vizinhança com expansão de influência no continente. Ao mesmo tempo, o país vem criticando a política espanhola de regularização de imigrantes, argumentando que ela gera um “efeito chamada” — ou seja, atrai ainda mais pessoas para tentar a travessia até a Europa.
O que chama atenção é que Rabat já regularizou mais de 50 mil imigrantes subsaarianos em seu próprio território. Ou seja, o Marrocos faz em casa justamente o que critica quando a Espanha faz — regularizar quem já está lá, sem documentos.
Essa postura dupla faz parte de uma estratégia diplomática maior. O reino marroquino vem ampliando sua presença econômica e política na África subsaariana, e a isenção de vistos é uma ferramenta para estreitar laços com países vizinhos do continente e se posicionar como uma liderança regional.
Para os brasileiros que acompanham o debate migratório na Europa, o pano de fundo é importante: a Espanha está no centro de uma discussão intensa sobre imigração irregular, e Marrocos é um dos principais países de trânsito para quem tenta chegar à Península Ibérica. A relação entre os dois países nessa área é historicamente tensa e cheia de negociações.
A tendência é que esse cabo de guerra diplomático continue. Marrocos sabe que tem um papel-chave no controle dos fluxos migratórios em direção à Europa, e usa isso como moeda de troca nas relações com Madri e com Bruxelas. Fique de olho nessa história — ela ainda tem muitos capítulos pela frente.
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Fonte: ELPAIS