Em 1949, o herói da resistência polonesa Kazimierz Moczarski foi parar na mesma cela que Jürgen Stroop — general da SS e criminoso de guerra responsável pela destruição do gueto de Varsóvia e pela morte ou captura de mais de 56 mil judeus. Os dois dividiram aquele espaço de quatro paredes por 255 dias consecutivos, na prisão de Mokotów, em Varsóvia.
Moczarski, que falava alemão, usou esse tempo absurdo ao lado de Stroop para investigar uma pergunta que não saía da sua cabeça: o que transforma um ser humano em assassino em massa? Ele foi meticuloso, observou, conversou e anotou tudo. O resultado virou um livro chamado ‘Conversations with an Executioner’, publicado em 1977.
O contexto do próprio Moczarski é igualmente surreal: ele era um herói da resistência, mas o regime comunista polonês do pós-guerra o via como ameaça. Foi acusado de colaboracionismo e preso — e foi justamente durante essa prisão injusta que ele acabou dividindo a cela com Stroop.
O livro foi um best-seller instantâneo na Polônia assim que saiu, e no mesmo ano virou peça de teatro dirigida pelo renomado cineasta Andrzej Wajda. Mesmo com todo esse impacto, a obra demorou décadas para chegar ao mundo anglófono de forma completa.
Agora, quase 50 anos após a publicação original, o livro finalmente está sendo lançado no Reino Unido neste mês de agosto, na sua primeira tradução para o inglês sem cortes, assinada por Sean Gasper Bye. Uma boa hora para o mundo conhecer essa história perturbadora e necessária.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE