O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy ligou o sinal de alerta para o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi: os ataques russos a navios cargueiros no Mar Negro estão colocando em risco as exportações de alimentos da Ucrânia para o Egito, a África e o Oriente Médio. Zelenskyy disse que já há uma queda significativa nos fornecimentos e que isso pode causar aumento de preços e escassez. Os dois líderes concordaram em trabalhar juntos para encontrar soluções.
A Rússia, por sua vez, jogou um balde de água fria na ideia de cessar-fogo no Mar Negro. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, disse que Moscou não vê motivo para ‘meias medidas’ que dariam fôlego ao lado ucraniano — e ainda acusou a Ucrânia de ‘terrorismo descarado’ contra navios, sem mencionar os próprios ataques russos. A declaração veio em resposta a uma proposta ucraniana de suspensão mútua dos ataques a embarcações civis, feita por Kyiv por meio de um terceiro país.
Tanto Rússia quanto Ucrânia intensificaram os ataques a navios comerciais nas últimas semanas, o que já está empurrando os preços mundiais dos grãos para cima. No front interno russo, as autoridades admitiram que algumas regiões estão enfrentando falta de gasolina, resultado dos ataques ucranianos a refinarias de petróleo. Uma grande refinaria em Orsk, a cerca de 1.300 km da linha de frente, foi fechada por seis meses após ser atacada esta semana.
Enquanto isso, drones russos atingiram uma casa no norte da Ucrânia, matando uma mulher de 29 anos e seu filho de 9. O ataque acontece depois de a ONU ter apontado julho como o mês mais letal para civis ucranianos desde o início da invasão, com pelo menos 437 mortos e 2.610 feridos. A Romênia, país da Otan, encontrou um segundo drone em seu território, perto da fronteira com a Ucrânia, sem identificar a origem do equipamento.
No campo diplomático, Putin enviou uma mensagem ao líder norte-coreano Kim Jong-un afirmando que Moscou e Pyongyang cooperam em todas as áreas para garantir segurança regional — mais um sinal do estreitamento entre os dois países. Já na Polônia, autoridades e pesquisadores alertam que a Rússia intensificou uma campanha de desinformação usando disputas históricas da Segunda Guerra Mundial para inflamar tensões entre Varsóvia e Kyiv, com olho nas eleições parlamentares polonesas de 2027.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE