A maior empresa de pesca da Espanha, a Nueva Pescanova, anunciou em 2022 um investimento de 65 milhões de euros para criar a primeira fazenda industrial de polvos do mundo, perto do porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias. O plano era ambicioso: produzir 3 mil toneladas de polvo por ano em Gran Canaria já em 2025.
O projeto, no entanto, acabou sendo abandonado — e a polêmica que ele gerou reacendeu um debate que não é simples: afinal, é ético criar em cativeiro um animal reconhecidamente inteligente para consumo em larga escala?
O polvo é famoso por ser um dos animais mais cognitivamente sofisticados do reino animal. Eles resolvem problemas, usam ferramentas e demonstram comportamentos que muitos cientistas associam a uma capacidade de sentir e sofrer — o que torna a ideia de criá-los industrialmente especialmente controversa.
Além da questão ética, criar polvos em escala industrial é tecnicamente complicado. Os animais são solitários, canibais e extremamente sensíveis ao ambiente — o que faz da fazenda de polvos um desafio logístico e científico enorme, mesmo para uma empresa do porte da Nueva Pescanova.
Com o projeto espanhol fora do ar, o debate sobre o futuro da aquicultura de cefalópodes continua aberto. A demanda global por polvo cresce, mas as perguntas sobre bem-estar animal e sustentabilidade ainda não têm respostas fáceis — e vão continuar na mesa por um bom tempo.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE