No dia 30 de julho, imagens de dezenas de milhares de migrantes atravessando a nado o trecho curto entre o Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta tomaram as redes sociais — e o caos político veio na sequência. Em poucas horas, 22 líderes da União Europeia, o governo Trump e Israel já estavam criticando a Espanha.
A reação em cadeia virou um verdadeiro manual do que não fazer: recriminações mútuas, propostas demagógicas e um clima de histeria alimentado por imagens em tempo real circulando em câmaras de eco midiáticas. Segundo o analista Paul Taylor, do European Policy Centre, foram os populistas que pautaram o debate — espalhando medo e preconceito.
O episódio não aconteceu no vácuo. A Europa já vinha tentando construir uma política migratória comum, e qualquer crise nas fronteiras externas tende a reacender tensões antigas entre os países-membros. Ceuta, por ser um território espanhol em solo africano, é um ponto especialmente sensível nessa equação.
O efeito prático foi um baque nas relações entre aliados europeus. A briga de ‘um faz, o outro faz igual’ entre Itália e Espanha é um exemplo claro de como a crise enfraqueceu a cooperação da UE no combate ao tráfico de pessoas e na resistência ao uso de migrantes como ferramenta de pressão política por países de fora do bloco.
E aí está o ponto mais preocupante: Putin, Erdoğan e outros líderes que já usaram o fluxo migratório como alavanca geopolítica certamente estiveram de olho em tudo isso. A Europa mostrou, mais uma vez, que uma crise nas fronteiras é suficiente para colocá-la em frangalhos — e seus adversários sabem disso muito bem.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE