A Europa está diante de um dilema enorme: como se proteger da Rússia sem contar (ou contando muito menos) com os Estados Unidos? Essa pergunta, que antes parecia hipotética, virou urgente — e está no centro do debate sobre o futuro da defesa europeia.
A ameaça russa não se limita à guerra na Ucrânia. Moscou tem apostado em ataques híbridos, interferência política em favor de partidos pró-Rússia e demonstrações de força militares — como o exercício de tiro ao vivo que um navio de guerra russo fez a apenas 45 milhas da costa do Reino Unido. Tudo isso indica que um conflito direto com a Europa não pode ser descartado nos próximos anos.
Por causa desse cenário, os orçamentos de defesa estão subindo por toda a Europa, especialmente nos países mais próximos da fronteira com a Rússia. A sensação é de que o continente precisa de uma “apólice de seguro” própria — não dá mais para depender só do guarda-chuva americano.
Mesmo que a Otan se reinvente numa versão mais centrada na Europa, Washington ainda vai querer ter a palavra final. Isso significa que os europeus precisam construir sua própria capacidade militar real, e não apenas simbólica — o que exige investimento, coordenação e, acima de tudo, vontade política.
A colunista Nathalie Tocci, especialista em política europeia, defende que chegou a hora de a Europa desenvolver seu próprio “jeito de fazer guerra” — uma doutrina militar genuinamente europeia. O caminho é longo e cheio de obstáculos, mas a janela para agir está aberta agora.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE