Europa

Aprender ucraniano no meio da guerra: uma jornada que vai além das palavras

Um jornalista britânico decidiu aprender ucraniano logo depois de sua primeira viagem ao país, em outubro de 2022, já em plena guerra. A motivação não era exatamente solidariedade, mas um compromisso pessoal de voltar ao país e se sentir menos perdido nas reportagens.

Ele começou as aulas semanais por videochamada com uma professora chamada Olha, que mora em Ivano-Frankivsk, no oeste da Ucrânia. Com paciência e bom humor, ela foi guiando o aluno pelas letras do alfabeto cirílico — que ele descreve como formas elegantes e sensuais.

Além de reduzir a sensação de impotência diante do que via e ouvia, o jornalista queria ser mais respeitoso com as pessoas que encontrava nas reportagens. E tinha um sonho de longo prazo: conseguir ler um poema ucraniano no original.

O processo de aprendizado foi revelando muito mais do que gramática e vocabulário. A guerra, segundo o relato, acabava vazando para dentro de cada aula — moldando as conversas, os exemplos e a própria relação entre professor e aluno separados por fronteiras e conflito.

A experiência mostra como aprender o idioma de um povo em sofrimento pode se tornar uma forma profunda de conexão humana — e que, às vezes, estudar uma língua é também uma maneira de tentar entender o que nenhuma reportagem consegue traduzir completamente.

Tags: ucrânia, guerra, idioma, cultura, jornalismo

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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