Em Liechtenstein, aborto é proibido por lei — e buscar informações sobre o procedimento dentro do país também é ilegal. Quando Maria, mãe solo, descobriu que estava grávida e considerou interromper a gestação, a primeira ligação foi para o médico e a segunda para um advogado, só para ter certeza de que não estava prestes a cometer um crime.
Depois de tomar sua decisão, ela precisou pegar o carro e cruzar a fronteira para chegar a uma clínica. A viagem durou apenas 45 minutos, mas ao chegar ouviu da recepcionista: ‘Ah, você é de Liechtenstein? Então precisa pagar agora — 680 francos suíços.’ Quando perguntou o que aconteceria se não pudesse pagar na hora, a resposta foi direta: ‘Então terá que voltar amanhã.’
Liechtenstein é um dos poucos lugares na Europa onde o aborto ainda é amplamente proibido. A lei local veta o procedimento de forma geral, e as mulheres que precisam acessá-lo são obrigadas a buscar atendimento no exterior, arcando com custos e burocracia por conta própria.
O impacto prático é considerável: além do peso emocional de uma decisão já difícil, as mulheres precisam lidar com deslocamento, pagamento imediato em moeda estrangeira e total falta de suporte informativo dentro do próprio país. Para quem não tem carro, dinheiro disponível ou flexibilidade de agenda, as barreiras são ainda maiores.
A situação poderia mudar, mas há um obstáculo de peso: o Príncipe Herdeiro Alois já declarou que vetará qualquer mudança na legislação. Ou seja, mesmo que o parlamento local vote por modernizar as leis, a palavra final — por ora — continua sendo a de um príncipe.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE