No interior da Ucrânia, entre campos de girassóis amarelos, uma unidade de elite chamada ‘Pássaros do Magyar’ opera em silêncio — até que o silêncio é quebrado pelo ronco de um drone prestes a decolar. A brigada 414ª de aviação está levando a guerra cada vez mais fundo em território russo, usando drones de ataque como principal arma.
O repórter do Guardian acompanhou de perto um lançamento ao entardecer: o drone, parecido com um biplano cinza com hélice de madeira, disparou a 45 graus com chamas laranjas, deixando uma nuvem de fumaça preta e cheiro de pólvora no ar. O tenente-coronel Ray, um dos comandantes da unidade, chegou a se abrigar em uma vala durante a operação.
A estratégia da brigada é justamente transformar o tamanho continental da Rússia em uma fraqueza: quanto maior o território inimigo, mais alvos vulneráveis existem no interior — longe da linha de frente, mas ao alcance dos drones ucranianos. É uma lógica que vira o tabuleiro.
Esse tipo de operação representa uma mudança significativa na guerra. A Ucrânia, que luta com recursos mais limitados, tem apostado em tecnologia de drones como forma de compensar a desvantagem em tropas e equipamento pesado, conseguindo atingir infraestruturas russas a centenas de quilômetros de distância.
Com unidades como os ‘Pássaros do Magyar’ ganhando cada vez mais relevância, os drones de ataque devem continuar sendo uma das apostas centrais de Kiev no conflito. A frase atribuída a um dos membros da brigada resume bem o espírito da missão: ‘É aqui que a democracia vence o totalitarismo.’
Tags: ucrânia, guerra, drones, rússia
Fonte: GUARDIAN_EUROPE