Na quinta-feira, 30 de julho, cerca de 50 mil pessoas entraram em Ceuta, o enclave espanhol no Marrocos, em um único dia. Foi uma das maiores entradas em massa já registradas nessa fronteira, que historicamente é um dos pontos de acesso à Europa pelo continente africano.
A boa notícia — se é que dá pra chamar assim — é que a grande maioria dessas pessoas já retornou ao Marrocos logo em seguida. Ceuta funciona como uma espécie de corredor, e muitos tentam a travessia sem necessariamente conseguir permanecer no território europeu.
Mas o episódio acendeu um sinal de alerta político na Europa. A Itália de Giorgia Meloni aproveitou o momento para pedir a suspensão da Espanha do espaço Schengen, o acordo que permite a livre circulação entre países europeus. É uma medida drástica e simbólica, que reflete a pressão da direita europeia sobre o tema da imigração.
A Espanha agora enfrenta críticas vindas de vários lados da direita mundial, que usam o caso de Ceuta para questionar a política migratória do governo espanhol. O primeiro-ministro Pedro Sánchez, de centro-esquerda, está no centro das críticas.
Ainda não está claro como a União Europeia vai reagir à proposta italiana de suspender a Espanha do Schengen — uma medida que, na prática, seria extremamente difícil de implementar. O episódio, porém, deve intensificar o debate sobre imigração no bloco, especialmente com eleições se aproximando em vários países.
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Fonte: LEMONDE