Todo verão europeu tem aquela cena clássica: aeroportos lotados de madrugada, ingleses bebendo cerveja como se fosse dia de jogo, casais alemães animados com o roteiro de cicloturismo pela Croácia e gente dormindo no chão dos corredores. Milhões de pessoas embarcam nessa peregrinação anual rumo a Mallorca, Corfu e Albufeira em busca de sol e descanso.
Mas quem chega nesses destinos está cada vez mais sujeito a uma recepção nada calorosa. Em Barcelona, manifestantes chegam a jogar água de pistola nos turistas ou vedar a entrada de hotéis com fita. Em Tenerife, é comum ver pichações de ‘turistas, vão embora’ na beira da estrada, bem na rota dos carros alugados rumo à praia.
O artigo, assinado pelo escritor e pesquisador Adam Almeida, argumenta que o verdadeiro vilão por trás do chamado ‘overtourism’ não é o turista comum, mas sim a privatização das orlas e o poder do grande empresariado. De Portugal à Albânia, a venda e concessão de áreas costeiras a empresas privadas tem tirado o acesso das comunidades locais ao próprio litoral.
Enquanto o turismo de massa gera lucro para grandes grupos empresariais, os moradores locais ficam com poucos benefícios econômicos reais. A equação acaba sendo: trânsito, barulho, custo de vida mais alto e praia cada vez mais distante para quem sempre viveu ali.
Com a temporada de verão 2026 a todo vapor, a tendência é que os protestos continuem e até se intensifiquem. O debate sobre quem realmente lucra com o turismo na Europa — e quem paga a conta — promete esquentar tanto quanto o sol do Mediterrâneo.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE