Um eurodeputado grego foi alvo do famoso spyware Pegasus justamente enquanto participava de uma comissão do Parlamento Europeu investigando abusos desse tipo de software. É aquela situação clássica de quem investiga o crime virar alvo dele.
O caso envolve Stelios Kouloglou, ex-membro do Parlamento Europeu, cujo dispositivo foi comprometido pelo software de espionagem desenvolvido pela empresa israelense NSO Group. Os pesquisadores do Citizen Lab, da Universidade de Toronto, confirmaram que o aparelho foi hackeado repetidamente durante o período em que ele atuava na investigação.
O Citizen Lab, que é referência mundial em rastrear esse tipo de ataque digital, não conseguiu apontar qual governo específico teria ordenado a espionagem — o Pegasus é vendido exclusivamente para governos. Porém, o ataque contra Kouloglou tem características muito parecidas com uma campanha anterior de hackeamento contra jornalistas russos e bielorrussos exilados na Europa.
O episódio é mais um capítulo na longa novela europeia em torno do Pegasus, que já gerou escândalos em vários países do bloco, incluindo Hungria, Espanha e Grécia. O fato de um parlamentar encarregado de fiscalizar o uso desse spyware ter sido ele próprio espionado levanta questões sérias sobre a segurança das investigações institucionais.
Com mais um caso documentado dentro do Parlamento Europeu, a pressão por respostas concretas sobre quem usa o Pegasus na Europa deve aumentar. Por enquanto, a identidade do operador responsável pelo ataque a Kouloglou segue sem resposta.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE