A família da líder comunitária hondurenha Berta Cáceres está pedindo à União Europeia mais responsabilidade sobre onde vai o dinheiro das suas inversões. O pedido vem depois que um relatório independente apontou que fundos europeus financiaram, indiretamente, o assassinato dela em 2016.
Berta Cáceres era uma ativista indígena hondurenha conhecida por defender territórios e rios contra projetos de infraestrutura. Ela foi assassinada em março de 2016, crime que chocou o mundo e que levou à condenação de executivos ligados a uma empresa de energia.
Segundo o relatório independente mencionado no artigo, recursos financeiros de origem europeia chegaram a financiar atividades ligadas ao crime. Isso jogou luz sobre como o dinheiro público e privado europeu pode acabar sendo usado em contextos de violência contra defensores de direitos humanos no Sul Global.
A família e os aliados de Berta estão cobrando de vários países europeus que supervisionem de verdade para onde vai esse dinheiro e o que fazem os seus parceiros em países como Honduras. A exigência é por mecanismos concretos de rastreamento e responsabilização, não só promessas.
O caso de Berta Cáceres virou símbolo de uma discussão maior: como garantir que investimentos europeus no exterior não financiem, direta ou indiretamente, violações de direitos humanos? A pressão da família pode ajudar a empurrar regulações mais duras na Europa sobre o tema.
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Fonte: ELPAIS