Europa

Guerra na Ucrânia: briga histórica sobre unidade militar ameaça rachar amizade entre Polônia e Ucrânia

Uma disputa antiga voltou à tona e está criando climão sério entre Polônia e Ucrânia. O presidente polonês Karol Nawrocki retirou de Zelensky a maior honraria do país, a Ordem da Águia Branca, depois que o líder ucraniano rebatizou uma unidade do exército em homenagem ao Exército Insurgente Ucraniano — grupo nacionalista que massacrou poloneses durante a Segunda Guerra Mundial. Em resposta, três ex-presidentes ucranianos devolveram suas condecorações polonesas.

O primeiro-ministro polonês Donald Tusk entrou em campo tentando apagar o incêndio. Ele alertou que ‘meter-se num conflito entre políticos da Polônia e da Ucrânia é um erro estratégico que vai prejudicar os dois lados: nos negócios, geopoliticamente e em termos de reputação’. Tusk, que é pró-europeu e foi eleito em 2023 derrotando o partido nacionalista ao qual Nawrocki é alinhado, disse que em política um erro é pior do que um crime.

Zelensky também se pronunciou, afirmando que Ucrânia e Polônia não podem ser ‘nada além de parceiros e amigos’ e que uma briga política pode levar a uma ‘escalada muito perigosa’. Ele defendeu a escolha do nome da unidade militar, dizendo que os próprios soldados escolhem seus nomes e que, como presidente e comandante-chefe, precisa apoiá-los.

Enquanto isso, a guerra segue em outras frentes. Autoridades da Crimeia ocupada pela Rússia suspenderam a venda de gasolina para civis após ataques ucranianos a infraestruturas de combustível — a pior crise de abastecimento desde a anexação da península em 2014. Zelensky chamou os ataques de ‘sanções de longo alcance’ contra a infraestrutura energética russa, citando um depósito de petróleo na Crimeia e uma instalação na região russa de Krasnodar entre os alvos. Ataques russos no leste da Ucrânia mataram três pessoas durante a noite.

A pressão ucraniana sobre a infraestrutura energética russa vem crescendo nos últimos meses, com drones atingindo alvos cada vez mais distantes das linhas de frente — inclusive uma grande refinaria em Moscou, atacada duas vezes na semana passada. Segundo a empresa americana de pesquisa Energy Intelligence, cerca de um terço da capacidade de refino de petróleo da Rússia foi desativada por causa dos ataques ucranianos. A Rússia baniu exportações de combustível desde abril e algumas postos já adotaram racionamento.

Tags: ucrânia, polônia, guerra, crimeia, energia

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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