Você já viu aquela chuva avermelhada que às vezes cai na Europa e deixa tudo com uma camada de poeira laranja? Pois é, ela tem nome: “chuva de sangue”. E os cientistas estão cada vez mais atentos ao que ela carrega consigo — não só areia, mas também micro-organismos vindos direto do Saara.
Os eventos de poeira saariana estão ficando mais intensos, com milhares de toneladas de areia fina sendo carregadas pelo vento até a Europa. Essa poeira não é estéril: ela vem acompanhada de uma carga de microrganismos que pousam no solo europeu sem avisar.
A grande preocupação dos pesquisadores é o impacto que esses micróbios importados podem ter no microbioma do solo — ou seja, no conjunto de organismos microscópicos que vivem na terra e são essenciais para a fertilidade agrícola. O sul de Portugal fica em uma das principais rotas de deposição dessa poeira, e os vinhedos da região estão no centro das atenções. Uma equipe da Universidade de Lisboa fez um mapeamento genômico dos micro-organismos encontrados em amostras de poeira coletadas durante a Tempestade Celia, em 2022.
Se esses micróbios estranhos interferirem no equilíbrio do solo, a produção agrícola pode ser afetada — incluindo a qualidade das uvas e, consequentemente, dos vinhos portugueses, que são famosos no mundo todo.
Por enquanto, os estudos ainda estão em andamento, mas a tendência é que esse tipo de pesquisa ganhe cada vez mais importância à medida que os eventos de poeira saariana se tornam mais frequentes e intensos na Europa.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE