Os embaixadores da França, Alemanha e Reino Unido — o chamado grupo E3 — se reuniram com o ministério das Relações Exteriores da Rússia na quinta-feira para pedir negociações diretas entre Moscou e Kiev. A reunião foi rara: desde o início da guerra, os diplomatas europeus quase nunca se sentaram com autoridades russas por iniciativa própria — na maioria das vezes eram convocados pelos russos. O encontro aconteceu logo depois de os líderes do E3 terem se reunido com o presidente Zelensky em Londres.
Em nota conjunta, os três países disseram que transmitiram aos russos as conclusões da cúpula de Londres, incluindo o apoio ao pedido de Zelensky por conversas diretas entre Ucrânia e Rússia. Do lado russo, a resposta foi fria: o Kremlin afirmou que disse aos embaixadores que a política dos três países é ‘destrutiva’ e que eles estariam querendo ‘continuar a guerra contra a Rússia’ às custas dos europeus.
O pano de fundo é que as negociações lideradas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito não avançaram — e ainda foram ofuscadas pela guerra no Irã. A Rússia, historicamente, prefere tratar diretamente com o governo de Donald Trump e não quer os europeus na mesa de negociações. Mesmo assim, países como a França já vinham defendendo a retomada de um diálogo com Moscou.
Enquanto a diplomacia tenta se mexer, no campo de batalha a Ucrânia vem intensificando os ataques às linhas de abastecimento russas. A rodovia R-280, apelidada de ‘estrada da morte’, é uma rota vital para os comboios militares de Moscou e liga Rostov-on-Don a Melitopol, Mariupol e a Crimeia. Segundo o comandante das forças de drones ucranianas, o tráfego militar na rodovia caiu 71% nas últimas duas semanas. A Ponte Chonhar, que conecta a região de Kherson ocupada à Crimeia, chegou a ter o tráfego suspenso após uma série de ataques com drones.
Com as rotas de abastecimento cada vez mais comprometidas, a pressão sobre as forças russas na região tende a aumentar. Do lado diplomático, a reunião em Moscou pode ser um sinal de que os europeus querem ter voz ativa nas negociações — mas o Kremlin ainda resiste a essa participação. O próximo passo depende muito de como Moscou vai reagir às investidas do E3 e se os Estados Unidos voltarão a se engajar de forma mais ativa.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE