A União Europeia está convidando representantes do Talibã para Bruxelas com o objetivo de fechar acordos de deportação de migrantes afegãos. Isso acontece ao mesmo tempo em que novas regras de expulsão — comparadas ao estilo do ICE americano — entram em vigor no bloco.
A virada é marcante: governos europeus estão adotando medidas de controle migratório que, há pouco tempo, seriam consideradas politicamente impensáveis. A exceção é a Espanha, que segue na contramão da tendência geral.
O cenário é bem diferente do que se imaginava há apenas seis anos. Em 2020, a então comissária europeia de Assuntos Internos, Ylva Johansson, falava em construir uma política migratória europeia com ‘cabeça fria e coração quente’. O que veio depois foi o oposto disso.
A guinada não é exclusividade da direita radical. Políticos conservadores tradicionais e até figuras de centro-esquerda, como a dinamarquesa Mette Frederiksen, embarcaram na onda dura contra a imigração — e colheram resultados eleitorais com isso.
Para críticos, negociar com o regime Talibã representa um ponto baixo histórico para a credibilidade europeia em direitos humanos. A questão que fica é: fins justificam os meios quando o parceiro do acordo é um dos regimes mais repressivos do mundo?
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE