A Suíça pode realizar um referendo para limitar sua população a 10 milhões de habitantes — e o colunista Joseph de Weck, que escreve do país, não esconde o espanto. Para ele, a ideia é uma fantasia da extrema direita que ameaça justamente o que tornou o país tão próspero.
O artigo parte de uma cena quase idílica: Zurique num domingo de manhã, vazia e tranquila, com sinos de igreja e corredores educados de óculos aerodinâmicos. É esse retrato de ordem e bem-estar que serve de pano de fundo para a crítica — por que um país tão bem-sucedido votaria em algo que pode desmantelar seu próprio modelo?
A Suíça é conhecida por sua economia diversificada, salários altos e desigualdade de renda relativamente baixa. Um amigo britânico do autor compara os supermercados suíços ao salão gourmet da Harrods, em Londres. O Estado facilita os negócios e até trilhas de caminhada são mantidas por exércitos de voluntários.
O problema, segundo De Weck, é que essa prosperidade toda foi construída justamente sobre a abertura — de pessoas, de comércio, de ideias. Colocar um teto na população seria, na prática, fechar as portas para o tipo de mobilidade que alimenta a economia suíça há décadas.
O referendo ainda não tem data confirmada, mas já movimenta o debate político no país. A expectativa é que a proposta enfrente resistência significativa — mas na Suíça, onde a democracia direta é levada muito a sério, nunca se sabe o que pode sair das urnas.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE