O escritor norte-americano e canadense John Vaillant deu uma entrevista ao El País falando sobre incêndios florestais de sexta geração — aqueles monstros modernos que criam seu próprio clima e são praticamente impossíveis de conter. Ele é autor de um livro dedicado a entender o poder devastador desse tipo de fogo.
Segundo Vaillant, esses incêndios não são só um problema ambiental: eles mexem fundo na cabeça das pessoas. Quem perde a casa, a cidade ou a sensação de segurança fica em modo de sobrevivência, gerenciando o medo o tempo todo — e aí, diz ele, a cabeça fica vulnerável a discursos simplistas e autoritários.
A frase que deu título à entrevista resume bem o raciocínio dele: populações traumatizadas por desastres são terreno fértil para o fascismo. Não é a primeira vez que estudiosos conectam crises climáticas a instabilidade política, mas Vaillant coloca isso de um jeito bem direto e sem rodeios.
O escritor também defende que precisamos repensar completamente nossa forma de viver — urbanismo, construção, onde escolhemos morar — tudo isso precisa ser revisado a partir da perspectiva do fogo. A ideia é parar de tratar os incêndios como exceção e começar a encará-los como parte da realidade.
A entrevista não traz soluções mágicas, mas serve de alerta: ignorar o avanço dos grandes incêndios não é só um risco para florestas e casas, é um risco para a democracia também. Vale a leitura pra quem quer entender o que está por vir.
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Fonte: ELPAIS