Um clássico do cinema da República Democrática Alemã está chamando atenção novamente: ‘Solo Sunny’, filme de 1980 dirigido por Konrad Wolf, conta a história de Sunny, uma cantora pop que tenta escapar do cotidiano cinza e cheio de concessões da vida na Alemanha Oriental. O The Guardian deu quatro estrelas e chamou o filme de uma verdadeira joia esquecida.
A protagonista sonha em ser uma grande estrela solo, mas enfrenta a dura realidade: seu apresentador pouco gentil já avisa que ela não é nenhuma Liza Minnelli. O filme mistura melancolia, ambição frustrada e um certo humor ácido, e o jornal britânico chega a compará-lo com ‘Cabaret’, de Bob Fosse — como se fosse o lado B daquele clássico.
Por trás das câmeras, a história é igualmente curiosa. Konrad Wolf, carinhosamente chamado de ‘Koni’, era um cineasta reconhecido e premiado pelo próprio Estado da Alemanha Oriental, com filmes exibidos no Festival de Berlim. Só que seu irmão mais velho, Markus Wolf, era um dos chefões da Stasi, a temida polícia secreta do regime.
Essa relação familiar coloca Konrad Wolf numa posição politicamente delicada — e o torna, segundo o Guardian, o segundo cineasta alemão mais comprometido politicamente da história. Curiosidade literária: o personagem de um comunista desiludido no romance ‘Kairos’, da escritora Jenny Erpenbeck, é fã declarado de Wolf.
O filme funciona como uma espécie de cápsula do tempo da RDA: preserva a tristeza, o desleixo e o idealismo envenenado daquela época com uma honestidade rara. Para quem curte cinema histórico europeu com profundidade e um toque de ironia, ‘Solo Sunny’ parece ser uma descoberta e tanto.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE