Jens Spahn era considerado um dos políticos mais bem-sucedidos da Alemanha — eleito para o Bundestag aos 22 anos pelo partido conservador CDU, passou pelo ministério das finanças, liderou o ministério da saúde durante a pandemia e, em 2025, tornou-se líder do partido no parlamento, o que é considerado o segundo cargo mais poderoso do país. Parecia ser o tipo de político que sobrevive a qualquer polêmica.
Mas aí veio a gota d’água: Spahn anunciou que ele e o marido se tornaram pais por meio de barriga de aluguel nos Estados Unidos — e foi obrigado a renunciar ao cargo. A surpresa foi geral, já que muita gente achava que ele era imune a escândalos.
O detalhe que deixou todo mundo de queixo caído é que a barriga de aluguel é proibida na Alemanha — e Spahn sempre defendeu essa proibição ao longo da carreira. Ou seja, ele fez exatamente o que dizia ser errado, só que em outro país.
Para o partido CDU, isso foi longe demais. O caso escancarou como a política reprodutiva ainda é uma linha vermelha no conservadorismo alemão — e que nem décadas de carreira protegem quem cruza essa linha.
A saída de Spahn deixa um vácuo importante na liderança parlamentar da CDU e levanta questões sobre os limites entre vida privada e coerência política. O debate sobre surrogacia na Alemanha, que já era tenso, deve ganhar ainda mais força nos próximos meses.
Tags: alemanha, cdu, jens spahn, barriga de aluguel, política
Fonte: GUARDIAN_EUROPE