Alemanha

Pombão gigante e quadra de basquete dentro de igrejas: a bienal que quer salvar o coração industrial da Alemanha

A Manifesta, bienal itinerante de arte, escolheu um cenário bem inusitado para sua edição atual: doze igrejinhas abandonadas espalhadas pelo Ruhr, a terceira maior área urbana da Europa Ocidental. Até outubro, esses espaços estão recebendo instalações artísticas, jogos de bola, castelos infláveis e uma proposta bem diferente do que você esperaria de uma exposição de arte contemporânea.

O Ruhr é uma região que mistura cidades grandes como Essen e Duisburg com dezenas de cidades menores, tipo Bochum e Gelsenkirchen. Depois da Segunda Guerra Mundial, cerca de 80% da área estava destruída, e a Diocese do Ruhr resolveu construir centenas de igrejas compactas — as chamadas Pantoffelkirchen, ou ‘igrejas de chinelo’, porque ficavam tão pertinho das casas que os fiéis podiam ir à missa de chinelo mesmo.

O problema é que essas igrejas estão esvaziando rápido. Estima-se que até 300 delas estejam sem uso ou em ruínas, e só no último ano cem foram vendidas. A região, que já sofreu com as bombas da guerra, agora enfrenta outro tipo de devastação: a desindustrialização, o desemprego em massa e a degradação ambiental.

A Manifesta entra nesse contexto como uma tentativa de reacender a vida nessas comunidades, usando a arte como ferramenta de reconexão. A ideia não é só pendurar quadros na parede — a proposta tem um espírito comunitário bem mais radical, ocupando esses espaços com atividades que envolvem os moradores de verdade.

A bienal fica no Ruhr até outubro, então ainda dá tempo de visitar se você estiver por perto. Vai ser interessante acompanhar se iniciativas assim conseguem mesmo deixar algum legado nessas cidades ou se é mais um evento que passa e deixa tudo como estava.

Tags: alemanha, arte, ruhr, bienal, manifesta

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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