Uma cineasta chamada Maria Stoianova resolveu garimpar as gravações em vídeo que o pai dela fez nos anos 80 e 90 e transformou tudo isso num documentário. O resultado é um filme pessoal e ao mesmo tempo uma crônica do colapso do comunismo visto pelos olhos de uma família ucraniana.
O pai de Maria, Mykhailo Stoianov, era patinador e dançarino de gelo no balé nacional de gelo da Ucrânia. Durante a era soviética e logo depois, ele viajou pelos Estados Unidos, Canadá, Oriente Médio e Europa Ocidental — chegou até a se apresentar em Blackpool, no Reino Unido.
Os patinadores eram um grupo cultural privilegiado: o Estado soviético os incentivava como embaixadores diplomáticos e como fonte de moeda estrangeira. Mas havia um preço: a KGB os monitorava o tempo todo. Maria lembra o pai contando sobre uma conversa tensa com um agente de inteligência sobre trabalhar para eles.
O filme é feito inteiramente com imagens caseiras, e carrega uma leveza inocente misturada com a tristeza da história. O crítico do Guardian compara o estilo ao do documentarista britânico Adam Curtis, conhecido por compilar imagens de arquivo para falar de política e sociedade.
O documentário ainda não tem data de estreia ampla confirmada, mas já está sendo destacado como uma obra que não entrega seu significado de bandeja — e que vale a pena para quem curte história, memória e o universo pós-soviético.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE