Uma grande exposição no Martin Gropius Bau, em Berlim, está celebrando a obra de Gabriele Stötzer, considerada uma das artistas mais radicais da Alemanha Oriental comunista. É a maior mostra já dedicada a uma artista mulher do leste alemão em um museu estatal.
Stötzer ficou conhecida por criar arte com Super 8 e outros meios mesmo sem dinheiro e sob restrições pesadas do regime da RDA. Ela conta que havia dias em que precisava escolher entre comprar uma linguiça ou comprar filme para a câmera — e a câmera quase sempre ganhava.
A artista surgiu num contexto de resistência cultural à ditadura socialista da Alemanha Oriental, onde a liberdade de expressão era vigiada e censurada. Sua vontade de criar nasceu justamente em oposição a esse ambiente sufocante.
A exposição em Berlim representa um reconhecimento tardio, mas significativo, de uma trajetória artística que por muito tempo ficou à margem da história oficial da arte alemã. Ter esse espaço num museu estatal é um marco importante para a memória cultural do leste.
Com essa mostra, Stötzer finalmente ganha o holofote que sua obra merecia, e o público tem a chance de conhecer uma artista que trocou conforto por criatividade numa época em que isso tinha um preço real.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE