Keir Starmer renunciou ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, tornando-se o sexto premier a deixar o posto em apenas uma década. O colunista Rafael Behr, do Guardian, analisa o que está por trás dessa sequência impressionante de quedas no poder.
Desde o referendo do Brexit, a média de permanência em Downing Street caiu para menos de dois anos. Behr argumenta que o Brexit não derrubou Starmer diretamente, mas criou um clima político tão árido que qualquer fraqueza de liderança fica exposta muito mais rápido.
No caso de Starmer, o problema foi ter chegado ao poder sem uma visão clara do que queria fazer com ele — e sem muita disposição para explicar seus planos ao público. Num cenário político mais estável, isso talvez fosse contornável. No contexto pós-Brexit, virou combustível para a crise.
O artigo aponta que o Brexit envenenou a política britânica com um nacionalismo que dificulta a vida de qualquer líder que tente mobilizar um patriotismo mais saudável e menos polarizador. Starmer tentou esse caminho, mas não conseguiu fazer a mensagem pegar.
Behr sugere que Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, pode ter mais chances de encontrar esse equilíbrio no futuro. Mas, por ora, o Reino Unido segue no modo de alta rotatividade de líderes — e ninguém sabe quando esse ciclo vai acabar.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE