Na última terça-feira, 23 de junho, a Comissão Europeia recebeu discretamente uma delegação do Talibã em Bruxelas. O encontro aconteceu nos bastidores, sem alarde, e teve como foco principal as negociações para retomar as expulsões de afegãos da Europa de volta ao Afeganistão.
A reunião foi organizada justamente para abrir caminho para que os países-membros da União Europeia possam voltar a deportar pessoas para o território afegão. Atualmente, essas expulsões estão praticamente paralisadas por conta da situação política no país.
O detalhe que chama atenção é que a própria UE condena publicamente as atrocidades cometidas pelo regime talibã no Afeganistão — especialmente as restrições brutais impostas às mulheres e meninas. Ou seja, ao mesmo tempo em que critica o regime, a Europa senta à mesa com ele.
Essa contradição levanta questões sérias sobre os limites entre política migratória e direitos humanos. Aceitar deportar pessoas para um país governado por um regime que a própria UE condena pode ter consequências graves para quem for enviado de volta.
Ainda não está claro o que vai sair dessas conversas, mas o simples fato de o encontro ter acontecido já indica que a pressão por controle migratório está levando a Europa a fazer escolhas bem difíceis de justificar.
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Fonte: LEMONDE