Europa

‘Remigração’ na Europa: o que aconteceu na Eslovênia em 1992 serve de alerta para o que pode vir por aí

Em fevereiro de 1992, o governo da Eslovênia fez algo que parece saído de um pesadelo distópico: deletou oficialmente 25 mil cidadãos de seus bancos de dados. Da noite para o dia, essas pessoas viraram imigrantes ilegais — sem que tivessem saído do lugar.

O impacto era brutal no cotidiano. Uma mulher foi matricular o filho no colégio e a atendente olhou para ela e disse: ‘Mas você não tem filho. Ele não existe.’ Não era metáfora. O menino simplesmente havia sumido dos registros do Estado, e sem existir no sistema, ele não existia ponto.

O escritor, cineasta e antropólogo esloveno Miha Mazzini pesquisou esses casos a fundo para o seu livro ‘Erased’ (Os Apagados, em tradução livre). Ele reuniu inúmeros relatos assim — histórias que, segundo ele mesmo admite, antes teria achado impossíveis de acontecer numa sociedade moderna.

O artigo usa esse episódio histórico como espelho para o debate atual sobre ‘remigração’ que está ganhando força em vários países europeus. O argumento é direto: quando o Estado decide quem ‘existe’ e quem não existe, as consequências são concretas e devastadoras — emprego, saúde, moradia, tudo some junto com o nome no banco de dados.

Com a retórica anti-imigração crescendo na Europa, Mazzini deixa o recado no ar: o que parece impensável hoje já foi realidade ontem, e bem pertinho daqui.

Tags: imigração, eslovênia, remigração, direitos humanos, europa

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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