A Suécia acabou de passar por eleições gerais e o resultado trouxe um alívio para muita gente: a coalizão de centro-esquerda liderada por Magdalena Andersson parece ter vencido. Isso significa que o Partido dos Democratas Suecos, de extrema direita, deve ficar de fora do governo — pelo menos por agora.
O jornalista sueco Martin Gelin conversou com Helen Pidd, do The Guardian, sobre o que esses quatro anos de avanço da extrema direita fizeram com a política sueca. O partido em questão, os Democratas Suecos, tem raízes no movimento neonazista e defende uma pauta anti-imigração bem dura.
O problema é que, mesmo sem estar no governo, o SD já ganhou a batalha das ideias. O discurso deles — controle rígido da imigração, punições mais severas para crimes e a ideia de “tornar a Suécia sueca novamente” — virou praticamente senso comum no debate político do país.
Isso coloca o novo governo numa saia justa: como voltar a ser aquela Suécia progressista e tolerante que o mundo conhecia, se até os partidos tradicionais já adotaram boa parte do vocabulário da extrema direita?
A expectativa agora é ver se Magdalena Andersson consegue governar sem ceder ainda mais terreno a essa agenda. O caminho não parece fácil, e o debate sobre a identidade política da Suécia está longe de terminar.
Tags: suécia, extrema direita, eleições, imigração, política europeia
Fonte: GUARDIAN_EUROPE