Suécia

Suécia: a extrema direita perdeu força, mas a esquerda precisa aproveitar o momento

A eleição geral sueca mais recente trouxe uma virada interessante: o bloco de centro-esquerda deve voltar ao poder, mesmo com o Partido Social-Democrata tendo seu pior resultado desde 1908 — uma queda de cerca de 2%. A vitória não veio pelo desempenho do partido em si, mas graças aos aliados de coalizão.

Os parceiros da centro-esquerda foram os grandes responsáveis pela virada: o Partido da Esquerda cresceu 1,5%, os Verdes subiram 1,7% e o Partido do Centro ganhou 0,4%. Juntos, o bloco tem maioria de apenas três cadeiras no parlamento — ou seja, uma margem bem pequenininha.

Para entender o contexto: depois da eleição de 2022, o líder da extrema direita Jimmie Åkesson optou por apoiar o governo minoritário de direita do primeiro-ministro Ulf Kristersson. Já Magdalena Andersson, líder social-democrata, adotou o chamado “modelo dinamarquês” para tentar reconquistar o poder — uma estratégia que, na prática, significa absorver pautas da direita sobre imigração.

O analista Cas Mudde, professor da Universidade da Geórgia e especialista em extrema direita, alerta que copiar a agenda da extrema direita pode ser uma armadilha. Partidos que fazem isso ficam vulneráveis, porque o eleitor que quer esse discurso vai preferir o original ao invés da versão “light”.

A lição que fica é que Andersson, se voltar ao governo, estará numa posição frágil e precisará decidir entre continuar mimetizando a direita ou apostar de vez numa agenda progressiva. A escolha pode definir o futuro da esquerda sueca — e servir de exemplo para outros países europeus.

Tags: suécia, extrema direita, eleições, social-democratas, política europeia

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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